Regência Verbal e
Nominal – Crase – Colocação Pronominal e Exercícios
8 - SINTAXE DE REGÊNCIA
Regência Verbal e Nominal
Definição:
Dá-se o nome de regência à relação de subordinação que ocorre
entre um verbo (ou um nome) e seus complementos. Ocupa-se em estabelecer
relações entre as palavras, criando frases não ambíguas, que expressem
efetivamente o sentido desejado, que sejam corretas e claras.
REGÊNCIA VERBAL
Termo Regente: VERBO
|
A regência verbal estuda a relação que se estabelece entre os verbos e
os termos que os complementam (objetos diretos e objetos indiretos) ou
caracterizam (adjuntos adverbiais).
O estudo da regência verbal permite-nos ampliar nossa capacidade
expressiva, pois oferece oportunidade de conhecermos as diversas significações
que um verbo pode assumir com a simples mudança ou retirada de uma preposição. Observe:
A mãe agrada o filho. -> agradar significa acariciar, contentar.
A mãe agrada ao filho. -> agradar significa "causar agrado ou prazer", satisfazer.
A mãe agrada ao filho. -> agradar significa "causar agrado ou prazer", satisfazer.
Logo, conclui-se que "agradar alguém" é diferente de
"agradar a alguém".
Saiba que:
O conhecimento do uso adequado das preposições é um dos aspectos
fundamentais do estudo da regência verbal (e também nominal). As preposições
são capazes de modificar completamente o sentido do que se está sendo dito.
Veja os exemplos:
Cheguei ao metrô.
Cheguei no metrô.
No primeiro caso, o metrô é o lugar a que vou; no segundo caso, é o
meio de transporte por mim utilizado. A oração "Cheguei no metrô",
popularmente usada a fim de indicar o lugar a que se vai, possui, no padrão
culto da língua, sentido diferente. Aliás, é muito comum existirem
divergências entre a regência coloquial, cotidiana de alguns verbos, e a
regência culta.
|
Para estudar a regência verbal, agruparemos os verbos de acordo com sua
transitividade. A transitividade, porém, não é um fato absoluto: um mesmo verbo
pode atuar de diferentes formas em frases distintas.
Verbos Intransitivos
Os verbos intransitivos não possuem complemento. É importante, no
entanto, destacar alguns detalhes relativos aos adjuntos adverbiais que
costumam acompanhá-los.
a) Chegar, Ir
Normalmente vêm acompanhados de adjuntos adverbiais de lugar. Na língua
culta, as preposições usadas para indicar destino ou direção são: a, para.
Exemplos:
Fui ao teatro.
Adjunto Adverbial de Lugar
Ricardo foi para a Espanha.
Adjunto Adverbial de Lugar
Adjunto Adverbial de Lugar
Ricardo foi para a Espanha.
Adjunto Adverbial de Lugar
Obs.: "Ir para algum lugar" enfatiza a direção, a
partida." Ir a algum lugar" sugere também o retorno.
Importante: reserva-se o uso de "em"
para indicação de tempo ou meio. Veja:
Cheguei a Roma
em outubro.
Adjunto Adverbial de Tempo
Chegamos no trem das dez.
Adjunto Adverbial de Meio
Adjunto Adverbial de Tempo
Chegamos no trem das dez.
Adjunto Adverbial de Meio
b) Comparecer
O adjunto adverbial de lugar pode ser introduzido por em ou a.
Por Exemplo:
Comparecemos ao
estádio (ou no estádio) para ver o último jogo.
Verbos Transitivos Diretos
Os verbos transitivos diretos são complementados por objetos diretos.
Isso significa que não exigem preposição para o estabelecimento da relação de
regência. Ao empregar esses verbos, devemos lembrar que os pronomes oblíquos o,
a, os, as atuam como objetos diretos. Esses pronomes podem assumir as
formas lo, los, la, las (após formas verbais terminadas em -r, -s ou
-z) ou no, na, nos, nas (após formas verbais terminadas em sons
nasais), enquanto lhe e lhes são, quando complementos verbais,
objetos indiretos.
São verbos transitivos diretos, dentre outros:
abandonar, abençoar,
aborrecer, abraçar, acompanhar, acusar, admirar, adorar, alegrar, ameaçar,
amolar, amparar, auxiliar, castigar, condenar, conhecer, conservar,convidar,
defender, eleger, estimar, humilhar, namorar, ouvir, prejudicar, prezar,
proteger, respeitar, socorrer, suportar, ver, visitar.
Na língua culta, esses verbos funcionam exatamente como o verbo amar:
Amo aquele rapaz. /
Amo-o.
Amo aquela moça. / Amo-a.
Amam aquele rapaz. / Amam-no.
Ele deve amar aquela mulher. / Ele deve amá-la.
Amo aquela moça. / Amo-a.
Amam aquele rapaz. / Amam-no.
Ele deve amar aquela mulher. / Ele deve amá-la.
Obs.: os pronomes lhe, lhes só acompanham esses verbos para indicar
posse (caso em que atuam como adjuntos adnominais).
Exemplos:
Quero beijar-lhe
o rosto. (= beijar seu rosto)
Prejudicaram-lhe a carreira. (= prejudicaram sua carreira)
Conheço-lhe o mau humor! (= conheço seu mau humor)
Prejudicaram-lhe a carreira. (= prejudicaram sua carreira)
Conheço-lhe o mau humor! (= conheço seu mau humor)
Verbos Transitivos Indiretos
Os verbos transitivos indiretos são complementados por
objetos indiretos. Isso significa que esses verbos exigem uma preposição para o
estabelecimento da relação de regência. Os pronomes pessoais do caso oblíquo de
terceira pessoa que podem atuar como objetos indiretos são o
"lhe", o "lhes", para substituir pessoas. Não se
utilizam os pronomes o, os, a, as como complementos de verbos
transitivos indiretos. Com os objetos indiretos que não representam pessoas,
usam-se pronomes oblíquos tônicos de terceira pessoa (ele, ela) em lugar
dos pronomes átonos lhe, lhes. Os verbos transitivos indiretos são os
seguintes:
a) Consistir
Tem complemento introduzido pela preposição "em".
Por Exemplo:
A modernidade
verdadeira consiste em direitos iguais para todos.
b) Obedecer e Desobedecer:
Possuem seus complementos introduzidos pela preposição "a".
Por Exemplo:
Devemos obedecer
aos nossos princípios e ideais.
Eles desobedeceram às leis do trânsito.
Eles desobedeceram às leis do trânsito.
c) Responder
Tem complemento introduzido pela preposição "a". Esse verbo
pede objeto indireto para indicar "a quem" ou "ao
que" se responde.
Por Exemplo:
Respondi ao meu patrão.
Respondemos às perguntas.
Respondeu-lhe à altura.
Respondemos às perguntas.
Respondeu-lhe à altura.
Obs.: o verbo responder, apesar de transitivo indireto quando exprime
aquilo a que se responde, admite voz passiva analítica. Veja:
O questionário foi
respondido corretamente.
Todas as perguntas foram respondidas satisfatoriamente.
Todas as perguntas foram respondidas satisfatoriamente.
d) Simpatizar e Antipatizar
Possuem seus complementos introduzidos pela preposição "com".
Por Exemplo:
Antipatizo com aquela apresentadora.
Simpatizo com os que condenam os políticos que governam para uma minoria privilegiada.
Simpatizo com os que condenam os políticos que governam para uma minoria privilegiada.
Verbos Transitivos Diretos ou Indiretos
Há verbos que admitem duas construções, uma
transitiva direta, outra indireta, sem que isso implique modificações de
sentido. Dentre os principais, temos:
Abdicar
Abdicou as vantagens do cargo.
/ Abdicou das
vantagens do cargo.
Acreditar
Não acreditava a própria força. / Não
acreditava na
própria força.
Almejar
Almejamos a paz entre as nações.
/ Almejamos pela
paz entre as nações.
Ansiar
Anseia respostas objetivas. / Anseia por respostas
objetivas.
Anteceder
Sua partida antecedeu uma série de
fatos estranhos. / Sua partida antecedeu a
uma série de fatos estranhos.
Atender
Atendeu os meus pedidos. /
Atendeu aos
meus pedidos.
Atentar
Atente esta forma de digitar. / Atente nesta forma de
digitar. / Atente para
esta forma de digitar.
Cogitar
Cogitávamos uma nova estratégia. / Cogitávamos de uma nova estratégia. /
Cogitávamos em uma
nova estratégia.
Consentir
Os deputados consentiram a
adoção de novas medidas econômicas. / Os deputados consentiram na adoção de novas
medidas econômicas.
Deparar
Deparamos uma bela paisagem em nossa trilha. / Deparamos com uma bela paisagem
em nossa trilha.
Gozar
Gozava boa saúde. / Gozava de
boa saúde.
Necessitar
Necessitamos algumas horas para preparar a apresentação. /
Necessitamos de
algumas horas para preparar a apresentação.
Preceder
Intensas manifestações precederam a
mudança de regime./ Intensas manifestações precederam à mudança de regime.
Presidir
Ninguém presidia o encontro. / Ninguém
presidia ao
encontro.
Renunciar
Não renuncie o motivo de sua luta.
/ Não renuncie ao
motivo de sua luta.
Satisfazer
Era difícil conseguir satisfazê-la. / Era difícil
conseguir satisfazer-lhe.
Versar
Sua palestra versou o
estilo dos modernistas. / Sua palestra versou sobre o estilo dos modernistas
Verbos Transitivos Diretos e Indiretos
Os verbos transitivos diretos e indiretos são acompanhados de um objeto
direto e um indireto. Merecem destaque, nesse grupo:
Agradecer, Perdoar e Pagar
São verbos que apresentam objeto direto relacionado a coisas e objeto
indireto relacionado a pessoas. Veja os exemplos:
Agradeço aos
ouvintes a audiência.
Objeto Indireto Objeto Direto
Cristo ensina que é preciso perdoar o pecado ao pecador.
Objeto Direto Objeto Indireto
Paguei o débito ao cobrador.
Objeto Direto Objeto Indireto
Objeto Indireto Objeto Direto
Cristo ensina que é preciso perdoar o pecado ao pecador.
Objeto Direto Objeto Indireto
Paguei o débito ao cobrador.
Objeto Direto Objeto Indireto
O uso dos pronomes oblíquos átonos deve ser feito com particular cuidado.
Observe:
Agradeci o presente.
/ Agradeci-o.
Agradeço a você. / Agradeço-lhe.
Perdoei a ofensa. / Perdoei-a.
Perdoei ao agressor. / Perdoei-lhe.
Paguei minhas contas. / Paguei-as.
Paguei aos meus credores. / Paguei-lhes.
Agradeço a você. / Agradeço-lhe.
Perdoei a ofensa. / Perdoei-a.
Perdoei ao agressor. / Perdoei-lhe.
Paguei minhas contas. / Paguei-as.
Paguei aos meus credores. / Paguei-lhes.
Saiba que:
Com os verbos agradecer, perdoar e pagar a pessoa deve sempre aparecer
como objeto indireto, mesmo que na frase não haja objeto direto. Veja os
exemplos:
A empresa não
paga aos funcionários desde setembro.
Já perdoei aos que me acusaram. Agradeço aos eleitores que confiaram em mim. |
||||
Informar
Apresenta objeto direto ao se referir a coisas e objeto indireto
ao se referir a pessoas, ou vice-versa.
Por Exemplo:
Informe os novos preços aos clientes.
Informe os clientes dos novos preços. (ou sobre os novos preços)
Na utilização de pronomes como complementos, veja as
construções:
Informei-os aos clientes. / Informei-lhes os novos preços.
Informe-os dos novos preços. / Informe-os deles. (ou sobre eles)
Obs.: a mesma regência do verbo informar é usada para os
seguintes: avisar, certificar, notificar, cientificar, prevenir.
Comparar
Quando seguido de dois objetos, esse verbo admite as preposições
"a" ou "com" para introduzir o complemento indireto.
Por Exemplo:
Comparei seu comportamento ao (ou com o) de uma criança.
Pedir
Esse verbo pede objeto direto de coisa (geralmente na forma de oração
subordinada substantiva) e indireto de pessoa.
Por Exemplo:
Pedi-lhe
favores.
Objeto Indireto Objeto Direto Pedi-lhe que mantivesse em silêncio. Objeto Indireto Oração Subordinada Substantiva Objetiva Direta
Preferir
Na língua culta, esse verbo deve apresentar objeto indireto
introduzido pela preposição "a".
Por Exemplo:
Prefiro qualquer coisa a abrir mão de meus ideais.
Prefiro trem a ônibus.
Obs.: na língua culta, o verbo "preferir" deve ser usado sem
termos intensificadores, tais como: muito, antes, mil vezes, um milhão de
vezes, mais. A ênfase já é dada pelo prefixo existente no próprio verbo
(pre).
|
Mudança de Transitividade versus Mudança de Significado
Há verbos que, de acordo com a mudança de transitividade,
apresentam mudança de significado. O conhecimento das diferentes regências
desses verbos é um recurso linguístico muito importante, pois além de permitir
a correta interpretação de passagens escritas, oferece possibilidades
expressivas a quem fala ou escreve. Dentre os principais, estão:
AGRADAR
1) Agradar é transitivo direto no sentido de fazer carinhos, acariciar.
Por Exemplo:
Sempre agrada o filho
quando o revê. / Sempre o agrada quando o revê.
Cláudia não perde oportunidade de agradar o gato. / Cláudia não perde oportunidade de agradá-lo.
Cláudia não perde oportunidade de agradar o gato. / Cláudia não perde oportunidade de agradá-lo.
2) Agradar é transitivo indireto no sentido de causar agrado a,
satisfazer, ser agradável a. Rege complemento introduzido pela preposição
"a".
Por Exemplo:
O cantor não agradou
aos presentes.
O cantor não lhes agradou.
O cantor não lhes agradou.
ASPIRAR
1) Aspirar é transitivo direto no sentido de sorver, inspirar (o ar),
inalar.
Por Exemplo:
Aspirava o suave
aroma. (Aspirava-o)
2) Aspirar é transitivo indireto no sentido de desejar, ter como ambição.
Por Exemplo:
Aspirávamos a
melhores condições de vida. (Aspirávamos a elas)
Obs.: como o objeto direto do verbo "aspirar" não é pessoa,
mas coisa, não se usam as formas pronominais átonas "lhe" e
"lhes" e sim as formas tônicas "a ele (s)", " a ela
(s)". Veja o exemplo:
Aspiravam a uma
existência melhor. (= Aspiravam a ela)
ASSISTIR
1) Assistir é transitivo direto no sentido de ajudar, prestar
assistência a, auxiliar.
Por Exemplo:
As empresas de saúde
negam-se a assistir os idosos.
As empresas de saúde negam-se a assisti-los.
As empresas de saúde negam-se a assisti-los.
2) Assistir é transitivo indireto no sentido de ver, presenciar, estar
presente, caber, pertencer.
Exemplos:
Assistimos ao
documentário.
Não assisti às últimas sessões.
Essa lei assiste ao inquilino.
Não assisti às últimas sessões.
Essa lei assiste ao inquilino.
Obs.: no sentido de morar, residir, o verbo "assistir" é
intransitivo, sendo acompanhado de adjunto adverbial de lugar introduzido pela
preposição "em".
Por Exemplo:
Assistimos numa
conturbada cidade.
CHAMAR
1) Chamar é transitivo direto no sentido de convocar, solicitar a atenção
ou a presença de.
Por exemplo:
Por gentileza, vá chamar
sua prima. / Por favor, vá chamá-la.
Chamei você várias vezes. / Chamei-o várias vezes.
Chamei você várias vezes. / Chamei-o várias vezes.
2) Chamar no sentido de denominar, apelidar pode apresentar objeto direto e
indireto, ao qual se refere predicativo preposicionado ou não.
Exemplos:
A torcida chamou o
jogador mercenário.
A torcida chamou ao jogador mercenário.
A torcida chamou o jogador de mercenário.
A torcida chamou ao jogador de mercenário.
A torcida chamou ao jogador mercenário.
A torcida chamou o jogador de mercenário.
A torcida chamou ao jogador de mercenário.
CUSTAR
1) Custar é intransitivo no sentido de ter determinado valor ou preço,
sendo acompanhado de adjunto adverbial.
Por exemplo:
Frutas e verduras não
deveriam custar muito.
2) No sentido de ser difícil, penoso pode ser intransitivo ou transitivo
indireto.
Por exemplo:
Muito custa
viver tão longe da família.
Verbo Oração Subordinada Substantiva Subjetiva
Intransitivo Reduzida de Infinitivo
Custa-me (a mim) crer que tomou realmente aquela atitude.
Objeto Oração Subordinada Substantiva Subjetiva
Indireto Reduzida de Infinitivo
Verbo Oração Subordinada Substantiva Subjetiva
Intransitivo Reduzida de Infinitivo
Custa-me (a mim) crer que tomou realmente aquela atitude.
Objeto Oração Subordinada Substantiva Subjetiva
Indireto Reduzida de Infinitivo
Obs.: a Gramática Normativa condena as construções que atribuem ao verbo
"custar" um sujeito representado por pessoa. Observe o exemplo
abaixo:
Custei para
entender o problema.
Forma correta: Custou-me entender o problema.
Forma correta: Custou-me entender o problema.
IMPLICAR
1) Como transitivo direto, esse verbo tem dois sentidos:
a) dar a entender, fazer supor, pressupor
Por exemplo:
Suas atitudes
implicavam um firme propósito.
b) Ter como consequência, trazer como consequência, acarretar, provocar
Por exemplo:
Liberdade de escolha
implica amadurecimento político de um povo.
2) Como transitivo direto e indireto, significa comprometer, envolver
Por exemplo:
Implicaram aquele
jornalista em questões econômicas.
Obs.: no sentido de antipatizar, ter implicância, é transitivo indireto
e rege com preposição "com".
Por Exemplo:
Implicava com quem
não trabalhasse arduamente.
PROCEDER
1) Proceder é intransitivo no sentido de ser decisivo, ter cabimento,
ter fundamento ou portar-se, comportar-se, agir. Nessa segunda acepção, vem
sempre acompanhado de adjunto adverbial de modo.
Exemplos:
As afirmações da
testemunha procediam, não havia como refutá-las.
Você procede muito mal.
Você procede muito mal.
2) Nos sentidos de ter origem, derivar-se (rege a preposição"
de") e fazer, executar (rege complemento introduzido pela preposição "a")
é transitivo indireto.
Exemplos:
O avião procede de Maceió.
Procedeu-se aos exames.
O delegado procederá ao inquérito.
Procedeu-se aos exames.
O delegado procederá ao inquérito.
QUERER
1) Querer é transitivo direto no sentido de desejar, ter vontade de,
cobiçar.
Querem melhor
atendimento.
Queremos um país melhor.
Queremos um país melhor.
2) Querer é transitivo indireto no sentido de ter afeição, estimar,
amar.
Exemplos:
Quero muito aos meus amigos.
Ele quer bem à linda menina.
Despede-se o filho que muito lhe quer.
Ele quer bem à linda menina.
Despede-se o filho que muito lhe quer.
VISAR
1) Como transititvo direto, apresenta os sentidos de mirar, fazer
pontaria e de pôr visto, rubricar.
Por Exemplo:
O homem visou o alvo.
O gerente não quis visar o cheque.
2) No sentido de ter em vista, ter como meta, ter como objetivo, é
transitivo indireto e rege a preposição "a".
Exemplos:
O ensino deve sempre
visar ao progresso social.
Prometeram tomar medidas que visassem ao bem-estar público.
Prometeram tomar medidas que visassem ao bem-estar público.
REGÊNCIA NOMINAL
Regência Nominal é o nome da relação existente entre
um nome (substantivo, adjetivo ou advérbio) e os termos regidos por esse
nome. Essa relação é sempre intermediada por uma preposição. No estudo
da regência nominal, é preciso levar em conta que vários nomes apresentam
exatamente o mesmo regime dos verbos de que derivam. Conhecer o regime de um
verbo significa, nesses casos, conhecer o regime dos nomes cognatos. Observe o
exemplo:
Verbo obedecer e os nomes correspondentes: todos regem
complementos introduzidos pela preposição "a". Veja:
Obedecer a algo/ a alguém.
Obediente a algo/ a alguém.
Obediente a algo/ a alguém.
Apresentamos a seguir vários nomes acompanhados da
preposição ou preposições que os regem. Observe-os atentamente e procure,
sempre que possível, associar esses nomes entre si ou a algum verbo cuja
regência você conhece.
Substantivos
Admiração a, por
|
Devoção a, para, com, por
|
Medo a, de
|
Aversão a, para, por
|
Doutor em
|
Obediência a
|
Atentado a, contra
|
Dúvida acerca de, em, sobre
|
Ojeriza a, por
|
Bacharel em
|
Horror a
|
Proeminência sobre
|
Capacidade de, para
|
Impaciência com
|
Respeito a, com, para com, por
|
Adjetivos
Acessível a
|
Diferente de
|
Necessário a
|
Acostumado a, com
|
Entendido em
|
Nocivo a
|
Afável com, para com
|
Equivalente a
|
Paralelo a
|
Agradável a
|
Escasso de
|
Parco em, de
|
Alheio a, de
|
Essencial a, para
|
Passível de
|
Análogo a
|
Fácil de
|
Preferível a
|
Ansioso de, para, por
|
Fanático por
|
Prejudicial a
|
Apto a, para
|
Favorável a
|
Prestes a
|
Ávido de
|
Generoso com
|
Propício a
|
Benéfico a
|
Grato a, por
|
Próximo a
|
Capaz de, para
|
Hábil em
|
Relacionado com
|
Compatível com
|
Habituado a
|
Relativo a
|
Contemporâneo a, de
|
Idêntico a
|
Satisfeito com, de, em, por
|
Contíguo a
|
Impróprio para
|
Semelhante a
|
Contrário a
|
Indeciso em
|
Sensível a
|
Curioso de, por
|
Insensível a
|
Sito em
|
Descontente com
|
Liberal com
|
Suspeito de
|
Desejoso de
|
Natural de
|
Vazio de
|
Advérbios
Longe de
|
Perto de
|
Obs.: os advérbios terminados em -mente tendem a seguir o regime dos
adjetivos de que são formados: paralela a; paralelamente a; relativa a;
relativamente a.
CRASE
A palavra crase é de origem grega e significa "fusão",
"mistura". Na língua portuguesa, é o nome que se dá à
"junção" de duas vogais idênticas. É de grande importância a crase da
preposição "a" com o artigo feminino "a" (s),
com o pronome demonstrativo "a" (s), com o "a" inicial
dos pronomes aquele (s), aquela (s), aquilo e com o "a"
do relativo a qual (as quais). Na escrita, utilizamos o acento grave
( ` ) para indicar a crase. O uso apropriado do acento grave, depende da
compreensão da fusão das duas vogais. É fundamental também, para o entendimento
da crase, dominar a regência dos verbos e nomes que exigem a preposição "a".
Aprender a usar a crase, portanto, consiste em aprender a verificar a
ocorrência simultânea de uma preposição e um artigo ou pronome. Observe:
Vou a a igreja.
Vou à igreja.
No exemplo acima, temos a ocorrência da preposição "a", exigida
pelo verbo ir (ir a algum lugar) e a ocorrência do artigo "a"
que está determinando o substantivo feminino igreja. Quando ocorre esse
encontro das duas vogais e elas se unem, a união delas é indicada pelo acento
grave. Observe os outros exemplos:
Conheço a aluna.
Refiro-me à aluna.
Refiro-me à aluna.
No primeiro exemplo, o verbo é transitivo (conhecer algo ou alguém),
logo não exige preposição e a crase não pode ocorrer. No segundo exemplo, o
verbo é transitivo indireto (referir-se a algo ou a alguém) e exige a
preposição "a". Portanto, a crase é possível, desde que o
termo seguinte seja feminino e admita o artigo feminino "a" ou
um dos pronomes já especificados.
Há duas maneiras de verificar a existência de um artigo feminino "a"
(s) ou de um pronome demonstrativo "a" (s) após uma
preposição "a":
1- Colocar um termo masculino no
lugar do termo feminino que se está em dúvida. Se surgir a forma ao, ocorrerá
crase antes do termo feminino.
Veja os exemplos:
Conheço "a" aluna. / Conheço o aluno.
Refiro-me ao aluno. / Refiro-me à aluna.
Refiro-me ao aluno. / Refiro-me à aluna.
2- Trocar o termo regente acompanhado
da preposição a por outro acompanhado de uma preposição diferente (para, em,
de, por, sob, sobre). Se essas preposições não se contraírem com o artigo, ou
seja, se não surgirem novas formas (na (s), da (s), pela (s),...), não haverá
crase.
Veja os exemplos:
- Penso na aluna.
- Apaixonei-me pela aluna.
- Apaixonei-me pela aluna.
-
Começou a brigar.
|
-
Cansou de brigar.
- Insiste em brigar. - Foi punido por brigar. - Optou por brigar. |
Atenção: lembre-se sempre de que não basta provar a existência da
preposição "a" ou do artigo "a", é preciso provar que
existem Evidentemente, se o termo regido não admitir a anteposição do artigo
feminino "a" (s), não haverá crase. Veja os principais casos em que a
crase NÃO ocorre:
- diante de substantivos masculinos:
Andamos a cavalo.
Fomos a pé.
Passou a camisa a ferro.
Fazer o exercício a lápis.
Compramos os móveis a prazo.
Assisitimos a espetáculos magníficos.
Fomos a pé.
Passou a camisa a ferro.
Fazer o exercício a lápis.
Compramos os móveis a prazo.
Assisitimos a espetáculos magníficos.
- diante de verbos no
infinitivo:
A criança começou a falar.
Ela não tem nada a dizer.
Estavam a correr pelo parque.
Estou disposto a ajudar.
Continuamos a observar as plantas.
Voltamos a contemplar o céu.
Ela não tem nada a dizer.
Estavam a correr pelo parque.
Estou disposto a ajudar.
Continuamos a observar as plantas.
Voltamos a contemplar o céu.
Obs.: como os verbos não admitem
artigos, constatamos que o "a" dos exemplos acima é apenas
preposição, logo não ocorrerá crase.
- diante da maioria dos pronomes e
das expressões de tratamento, com exceção das formas senhora, senhorita e
dona:
Diga a ela que não estarei em casa amanhã.
Entreguei a todos os documentos necessários.
Ele fez referência a Vossa Excelência no discurso de ontem.
Peço a Vossa Senhoria que aguarde alguns minutos.
Mostrarei a vocês nossas propostas de trabalho.
Quero informar a algumas pessoas o que está acontecendo.
Isso não interessa a nenhum de nós.
Aonde você pretende ir a esta hora?
Agradeci a ele, a quem tudo devo.
Entreguei a todos os documentos necessários.
Ele fez referência a Vossa Excelência no discurso de ontem.
Peço a Vossa Senhoria que aguarde alguns minutos.
Mostrarei a vocês nossas propostas de trabalho.
Quero informar a algumas pessoas o que está acontecendo.
Isso não interessa a nenhum de nós.
Aonde você pretende ir a esta hora?
Agradeci a ele, a quem tudo devo.
Os poucos casos em que ocorre crase diante dos pronomes podem ser
identificados pelo método explicado anteriormente. Troque a palavra feminina
por uma masculina, caso na nova construção surgir a forma ao, ocorrerá crase.
Por exemplo:
Refiro-me à mesma pessoa. (Refiro-me ao mesmo indivíduo.)
Informei o ocorrido à senhora. (Informei o ocorrido ao senhor.)
Peça à própria Cláudia para sair mais cedo. (Peça ao próprio Cláudio para sair mais cedo.)
Informei o ocorrido à senhora. (Informei o ocorrido ao senhor.)
Peça à própria Cláudia para sair mais cedo. (Peça ao próprio Cláudio para sair mais cedo.)
- diante de numerais cardinais:
Chegou a duzentos o número de feridos.
Daqui a uma semana começa o campeonato.
Daqui a uma semana começa o campeonato.
os dois.
Casos em que a crase SEMPRE ocorre:
- diante de palavras femininas:
Amanhã iremos à festa de aniversário de minha colega.
Sempre vamos à praia no verão.
Ela disse à irmã o que havia escutado pelos corredores.
Sou grata à população.
Fumar é prejudicial à saúde.
Este aparelho é posterior à invenção do telefone.
Sempre vamos à praia no verão.
Ela disse à irmã o que havia escutado pelos corredores.
Sou grata à população.
Fumar é prejudicial à saúde.
Este aparelho é posterior à invenção do telefone.
- diante da palavra "moda",
com o sentido de "à moda de" (mesmo que a expressão moda de fique
subentendida):
O jogador fez um gol à (moda de) Pelé.
Usava sapatos à (moda de) Luís XV.
Estava com vontade de comer frango à (moda de) passarinho.
O menino resolveu vestir-se à (moda de) Fidel Castro.
Usava sapatos à (moda de) Luís XV.
Estava com vontade de comer frango à (moda de) passarinho.
O menino resolveu vestir-se à (moda de) Fidel Castro.
- na indicação de horas:
Acordei às sete horas da manhã.
Elas chegaram às dez horas.
Foram dormir à meia-noite.
Ele saiu às duas horas.
Elas chegaram às dez horas.
Foram dormir à meia-noite.
Ele saiu às duas horas.
- em locuções adverbiais,
prepositivas e conjuntivas de que participam palavras femininas. Por exemplo:
à tarde
|
às
ocultas
|
às
pressas
|
à
medida que
|
à noite
|
às
claras
|
às
escondidas
|
à força
|
à
vontade
|
à beça
|
à larga
|
à
escuta
|
às
avessas
|
à
revelia
|
à
exceção de
|
à
imitação de
|
à
esquerda
|
às
turras
|
às
vezes
|
à chave
|
à
direita
|
à
procura
|
à
deriva
|
à toa
|
à luz
|
à
sombra de
|
à
frente de
|
à
proporção que
|
à
semelhança de
|
às
ordens
|
à beira
de
|
Crase diante de Nomes de Lugar
Alguns nomes de lugar não admitem a anteposição do artigo "a".
Outros, entretanto, admitem o artigo, de modo que diante deles haverá crase,
desde que o termo regente exija a preposição "a". Para saber
se um nome de lugar admite ou não a anteposição do artigo feminino "a",
deve-se substituir o termo regente por um verbo que peça a preposição "de"
ou "em". A ocorrência da contração "da" ou
"na" prova que esse nome de lugar aceita o artigo e, por isso,
haverá crase. Por exemplo:
Vou à França. (Vim da França. Estou na França.)
Cheguei à Grécia. (Vim da Grécia. Estou na Grécia.)
Retornarei à Itália. (Vim da Itália. Estou na Itália)
Vou a Porto Alegre. (Vim de Porto Alegre. Estou em Porto Alegre.)
Cheguei a Pernambuco. (Vim de Pernambuco. Estou em Pernambuco.)
Retornarei a São Paulo. (Vim de São Paulo. Estou em São Paulo.)
Cheguei à Grécia. (Vim da Grécia. Estou na Grécia.)
Retornarei à Itália. (Vim da Itália. Estou na Itália)
Vou a Porto Alegre. (Vim de Porto Alegre. Estou em Porto Alegre.)
Cheguei a Pernambuco. (Vim de Pernambuco. Estou em Pernambuco.)
Retornarei a São Paulo. (Vim de São Paulo. Estou em São Paulo.)
ATENÇÃO: quando o nome de lugar estiver especificado, ocorrerá crase.
Veja:
Retornarei à São Paulo dos bandeirantes.
Irei à Salvador de Jorge Amado.
Irei à Salvador de Jorge Amado.
Crase diante dos Pronomes Demonstrativos Aquele (s), Aquela (s), Aquilo
Haverá crase diante desses pronomes sempre que o termo regente exigir a
preposição "a". Por exemplo:
Refiro-me
|
a
|
aquele
|
atentado.
|
Preposição
|
Pronome
|
Refiro-me àquele atentado.
O termo regente do exemplo acima é o verbo transitivo indireto referir (referir-se
a algo ou alguém) e exige preposição, portanto, ocorre a crase.
Observe este outro exemplo:
Aluguei aquela casa.
O verbo "alugar" é transitivo direto (alugar algo) e não exige
preposição. Logo, a crase não ocorre nesse caso. Veja outros exemplos:
Dediquei àquela senhora todo o meu trabalho.
Quero agradecer àqueles que me socorreram.
Refiro-me àquilo que aconteceu com seu pai.
Não obedecerei àquele sujeito.
Assisti àquele filme três vezes.
Espero aquele rapaz.
Fiz aquilo que você disse.
Comprei aquela caneta.
Quero agradecer àqueles que me socorreram.
Refiro-me àquilo que aconteceu com seu pai.
Não obedecerei àquele sujeito.
Assisti àquele filme três vezes.
Espero aquele rapaz.
Fiz aquilo que você disse.
Comprei aquela caneta.
Crase com os Pronomes Relativos A Qual, As Quais
A ocorrência da crase com os pronomes relativos a qual e as
quais depende do verbo. Se o verbo que rege esses pronomes exigir a
preposição "a", haverá crase. É possível detectar a ocorrência
da crase nesses casos, utilizando a substituição do termo regido feminino por
um termo regido masculino. Por exemplo:
A igreja à qual me refiro fica no centro da cidade.
O monumento ao qual me refiro fica no centro da cidade.
Caso surja a forma ao com a troca do termo, ocorrerá a crase.
O monumento ao qual me refiro fica no centro da cidade.
Caso surja a forma ao com a troca do termo, ocorrerá a crase.
Veja outros exemplos:
São normas às quais todos os alunos devem obedecer.
Esta foi a conclusão à qual ele chegou.
Várias alunas às quais ele fez perguntas não souberam responder nenhuma das questões.
A sessão à qual assisti estava vazia.
Esta foi a conclusão à qual ele chegou.
Várias alunas às quais ele fez perguntas não souberam responder nenhuma das questões.
A sessão à qual assisti estava vazia.
Crase com o Pronome Demonstrativo "a"
A ocorrência da crase com o pronome demonstrativo "a"
também pode ser detectada através da substituição do termo regente feminino por
um termo regido masculino. Veja:
Minha revolta é
ligada à do meu país.
Meu luto é ligado ao do meu país.
As orações são semelhantes às de antes.
Os exemplos são semelhantes aos de antes.
Aquela rua é transversal à que vai dar na minha casa.
Aquele beco é transversal ao que vai dar na minha casa.
Suas perguntas são superiores às dele.
Seus argumentos são superiores aos dele.
Sua blusa é idêntica à de minha colega.
Seu casaco é idêntico ao de minha colega.
Meu luto é ligado ao do meu país.
As orações são semelhantes às de antes.
Os exemplos são semelhantes aos de antes.
Aquela rua é transversal à que vai dar na minha casa.
Aquele beco é transversal ao que vai dar na minha casa.
Suas perguntas são superiores às dele.
Seus argumentos são superiores aos dele.
Sua blusa é idêntica à de minha colega.
Seu casaco é idêntico ao de minha colega.
A Palavra Distância
Se a palavra distância estiver especificada, determinada,
a crase deve ocorrer. Por exemplo:
Sua casa fica à distância de 100 Km daqui. (A palavra está determinada.)
Todos devem ficar à distância de 50 metros do palco. (A palavra está especificada.)
Todos devem ficar à distância de 50 metros do palco. (A palavra está especificada.)
Se a palavra distância não estiver especificada, a crase
não pode ocorrer. Por exemplo:
Os militares ficaram a distância.
Gostava de fotografar a distância.
Ensinou a distância.
Dizem que aquele médico cura a distância.
Reconheci o menino a distância.
Gostava de fotografar a distância.
Ensinou a distância.
Dizem que aquele médico cura a distância.
Reconheci o menino a distância.
Observação: por motivo de clareza, para evitar ambiguidade, pode-se usar
a crase. Veja:
Gostava de
fotografar à distância.
Ensinou à distância.
Dizem que aquele médico cura à distância.
Ensinou à distância.
Dizem que aquele médico cura à distância.
Casos em que a ocorrência da crase é FACULTATIVA
- diante de nomes próprios femininos:
Observação: é facultativo o uso da crase diante de nomes próprios
femininos porque é facultativo o uso do artigo. Observe:
Paula é muito bonita.
|
Laura é minha amiga.
|
A Paula é muito bonita.
|
A Laura é minha amiga.
|
Como podemos constatar, é facultativo o uso do artigo feminino diante de
nomes próprios femininos, então podemos escrever as frases abaixo das seguintes
formas:
Entreguei
o cartão a Paula.
|
Entreguei
o cartão a Roberto.
|
Entreguei
o cartão à Paula.
|
Entreguei
o cartão ao Roberto.
|
Contei a
Laura o que havia ocorrido na noite passada.
|
Contei a
Pedro o que havia ocorrido na noite passada.
|
Contei à
Laura o que havia ocorrido na noite passada.
|
Contei ao
Pedro o que havia ocorrido na noite passada.
|
- diante de pronome possessivo feminino:
Observação: é facultativo o uso da crase diante de pronomes possessivos
femininos porque é facultativo o uso do artigo. Observe:
Minha avó tem setenta anos.
|
Minha irmã está esperando por você.
|
A minha avó tem setenta anos.
|
A minha irmã está esperando por você.
|
Sendo facultativo o uso do artigo feminino diante de pronomes
possessivos femininos, então podemos escrever as frases abaixo das seguintes
formas:
Cedi o
lugar a minha avó.
|
Cedi o
lugar a meu avô.
|
Cedi o
lugar à minha avó.
|
Cedi o
lugar ao meu avô.
|
Diga a
sua irmã que estou esperando por ela.
|
Diga a
seu irmão que estou esperando por ele.
|
Diga à
sua irmã que estou esperando por ela.
|
Diga ao
seu irmão que estou esperando por ele.
|
- depois da preposição até:
Fui até a praia.
|
ou
|
Fui até à praia.
|
Acompanhe-o até a porta.
|
ou
|
Acompanhe-o até à porta.
|
A palestra vai até as cinco horas da
tarde.
|
ou
|
A palestra vai até às cinco horas da
tarde.
|
SINTAXE DE COLOCAÇÃO
Colocação dos Pronomes Oblíquos Átonos
Fernanda, quem te contou isso?
Fernanda, contaram-te isso?
Nos exemplos acima, observe que o pronome "te" foi expresso em
lugares distintos: antes e depois do verbo. Isso ocorre porque os pronomes
átonos (me, te, se, lhe, o, a, nos, vos, lhes, os, as) podem assumir
três posições diferentes numa oração: antes do verbo, depois do verbo e no
interior do verbo. Essas três colocações chamam-se, respectivamente: próclise,
ênclise e mesóclise.
1) Próclise
Na próclise, o pronome surge antes do verbo. Costuma ser
empregada:
a) Nas orações que contenham uma palavra ou expressão de valor negativo.
Exemplos:
Ninguém o
apoia.
Nunca se esqueça de mim.
Não me fale sobre este assunto.
Nunca se esqueça de mim.
Não me fale sobre este assunto.
b) Nas orações em que haja advérbios e pronomes indefinidos, sem que exista
pausa.
Exemplos:
Aqui se vive.
(advérbio)
Tudo me incomoda nesse lugar. (pronome indefinido)
Tudo me incomoda nesse lugar. (pronome indefinido)
Obs.: caso haja pausa depois do advérbio, emprega-se ênclise.
Por Exemplo:
Aqui, vive-se.
c) Nas orações iniciadas por pronomes e advérbios interrogativos.
Exemplos:
Quem te
convidou para sair? (pronome interrogativo)
Por que a maltrataram? (advérbio interrogativo)
Por que a maltrataram? (advérbio interrogativo)
d) Nas orações iniciadas por palavras exclamativas e nas optativas (que
exprimem desejo).
Exemplos:
Como te
admiro! (oração exclamativa)
Deus o ilumine! (oração optativa)
Deus o ilumine! (oração optativa)
e) Nas conjunções subordinativas:
Exemplos:
Ela não quis a blusa,
embora lhe servisse.
É necessário que o traga de volta.
Comprarei o relógio se me for útil.
É necessário que o traga de volta.
Comprarei o relógio se me for útil.
f) Com gerúndio precedido de preposição "em".
Exemplos:
Em se tratando de
negócios, você precisa falar com o gerente.
Em se pensando em descanso, pensa-se em férias.
Em se pensando em descanso, pensa-se em férias.
g) Com a palavra "só" (no sentido de "apenas",
"somente") e com as conjunções coordenativas alternativas.
Exemplos:
Só se lembram de
estudar na véspera das provas.
Ou se diverte, ou fica em casa.
Ou se diverte, ou fica em casa.
h) Nas orações introduzidas por pronomes relativos.
Exemplos:
Foi aquele colega
quem me ensinou a matéria.
Há pessoas que nos tratam com carinho.
Aqui é o lugar onde te conheci.
Há pessoas que nos tratam com carinho.
Aqui é o lugar onde te conheci.
2) Mesóclise
Emprega-se a mesóclise quando o verbo estiver no futuro do presente ou
no futuro do pretérito do indicativo, desde que não se justifique a próclise. O
pronome fica intercalado ao verbo.
Exemplos:
Falar-lhe-ei a
teu respeito. (Falarei + lhe)
Procurar-me-iam caso precisassem de ajuda. (Procurariam + me)
Procurar-me-iam caso precisassem de ajuda. (Procurariam + me)
Observações:
a) Havendo um dos casos que justifique a próclise, desfaz-se a
mesóclise.
Por Exemplo:
Tudo lhe
emprestarei, pois confio em seus cuidados. (O pronome "tudo" exige o
uso de próclise.)
b) Com esses tempos verbais (futuro do presente e futuro do pretérito)
jamais ocorre a ênclise.
c) A mesóclise é colocação exclusiva da língua culta e da modalidade
literária.
3) Ênclise
A ênclise pode ser considerada a colocação básica do pronome, pois
obedece à sequência verbo-complemento. Assim, o pronome surge depois do verbo.
Emprega-se geralmente:
a) Nos períodos iniciados por verbos (desde que não estejam no tempo
futuro), pois, na língua culta, não se abre frase com pronome oblíquo.
Exemplos:
Diga-me apenas
a verdade.
Importava-se com o sucesso do projeto.
Importava-se com o sucesso do projeto.
b) Nas orações reduzidas de infinitivo.
Exemplos:
Convém confiar-lhe
esta responsabilidade.
Espero contar-lhe isto hoje à noite.
Espero contar-lhe isto hoje à noite.
c) Nas orações reduzidas de gerúndio (desde que não venham precedidas de
preposição "em".)
Exemplos:
A mãe adotiva ajudou
a criança, dando-lhe carinho e proteção.
O menino gritou, assustando-se com o ruído que ouvira.
O menino gritou, assustando-se com o ruído que ouvira.
d) Nas orações imperativas afirmativas.
Exemplos:
Fale com seu irmão e
avise-o do compromisso.
Professor, ajude-me neste exercício!
Professor, ajude-me neste exercício!
Observações:
1) A posição normal do pronome é a ênclise. Para que ocorra a próclise
ou a mesóclise é necessário haver justificativas.
2) A tendência para a próclise na língua falada atual é predominante,
mas iniciar frases com pronomes átonos não é lícito numa conversação formal.
Por Exemplo:
Linguagem Informal:
Me alcança a caneta.
Linguagem Formal: Alcança-me a caneta.
Linguagem Formal: Alcança-me a caneta.
3) Se o verbo não estiver no início da frase, nem conjugado nos
tempos Futuro do Presente ou Futuro do Pretérito, é possível usar tanto a
próclise como a ênclise.
Exemplos:
Eu me machuquei no jogo.
Eu machuquei-me no jogo.
As crianças se esforçam para acordar cedo.
As crianças esforçam-se para acordar cedo.
Eu me machuquei no jogo.
Eu machuquei-me no jogo.
As crianças se esforçam para acordar cedo.
As crianças esforçam-se para acordar cedo.
Colocação dos Pronomes Oblíquos Átonos nas Locuções Verbais
As locuções verbais podem ter o verbo principal no infinitivo, no
gerúndio ou no particípio.
1) Verbo Principal no Infinitivo ou Gerúndio
a) Sem palavra que exija a próclise:
Geralmente, emprega-se o pronome após a locução.
Por Exemplo:
Quero ajudar-lhe
ao máximo.
b) Com palavra que exija próclise:
O pronome pode ser colocado antes ou depois da locução.
Exemplos:
Nunca me viram
cantar. (antes)
Não pretendo falar-lhe sobre negócios. (depois)
Não pretendo falar-lhe sobre negócios. (depois)
Observações:
1) Quando houver preposição entre o verbo auxiliar e o infinitivo, a
colocação do pronome será facultativa.
Por Exemplo:
Nosso filho há de
encontrar-se na escolha profissional.
Nosso filho há de se encontrar na escolha profissional.
Nosso filho há de se encontrar na escolha profissional.
2) Com a preposição "a" e o pronome oblíquo "o" (e
variações) o pronome deverá ser colocado depois do infinitivo.
Por Exemplo:
Voltei a
cumprimentá-los pela vitória na partida.
2) Verbo Principal no Particípio
Estando o verbo principal no particípio, o pronome oblíquo átono não
poderá vir depois dele.
Por Exemplo:
As crianças tinham-se
perdido no passeio escolar.
a) Se não houver fator que justifique a próclise, o pronome ficará
depois do verbo auxiliar.
Por Exemplo:
Seu rendimento escolar
tem-me surpreendido.
b) Se houver fator que justifique a próclise, o pronome ficará antes da
locução.
Por Exemplo:
Não me haviam
avisado da prova que teremos amanhã.
Obs.: na língua falada, é comum o uso da próclise em relação ao
particípio. Veja:
Por Exemplo:
Haviam me
convencido com aquela história.
Não haviam me mostrado todos os cômodos da casa.
Não haviam me mostrado todos os cômodos da casa.