Adolescência e qualidade do sono
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Excesso de sono pode não ser
preguiça: mudanças hormonais e maus hábitos provocam maior sonolência
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| Se você é pai ou mãe de
adolescente e está preocupado com o sono excessivo do seu filho, saiba que
existe uma resposta para toda esta sonolência que passa muito longe da
simples preguiça ou desprezo pelos estudos. Segundo afirma o coordenador do Laboratório de Sono do Hospital Português, Francisco Hora Fontes, as necessidades de sono do adolescente são bem diferentes do padrão estabelecido para outras faixas etárias. “Na adolescência, ocorrem grandes mudanças hormonais com repercussões importantes do ponto de vista físico e emocional. O sono e a vigília não fogem à regra”, diz o pneumologista e especialista em distúrbios do sono. Fontes acrescenta que a tendência à excessiva sonolência diurna é mais marcante na adolescência do que na infância. Nesta fase da vida, também passa a existir uma predisposição para ir dormir mais tarde. Tal predisposição, continua Hora Fontes, deve-se a modificações no ritmo cronobiológico dos adolescentes também realçado por influências comportamentais, o que resulta em períodos insuficientes de sono. “Esta privação crônica de sono irá determinar cansaço ou desejo de dormir durante o dia, grande dificuldade para acordar pela manhã, bocejos e adormecimento em sala de aula, como também, em situações mais graves, irritabilidade, ansiedade, baixa auto-estima ou até mesmo depressão”, pontua Francisco Hora. Além do mais, ainda existe a sensação, entre os adolescentes, de que dormir é uma perda de tempo, durante o qual eles poderiam estar curtindo a vida ou passando por experiências, na opinião deles, mais interessantes. “Hoje em dia, por exemplo, é muito difícil disciplinar o uso noturno da internet pelos adolescentes e é óbvio esperar rapazes e moças com baixa produtividade e queda de rendimento cognitivo no dia seguinte o que, em algumas estatísticas, aponta até para uma maior ocorrência de acidentes automobilísticos entre jovens, em determinadas horas”. O especialista recomenda que os jovens atentem para a importância de evitar noites em claro, prolongamento do sono diurno, acordar depois do meio-dia, praticar atividades esportivas no período noturno e usar descontroladamente o celular e internet durante a noite. |
Sono em excesso é doença
Muitas pessoas sentem sono durante o dia, mas isso acontece provavelmente porque seu período de descanso noturno está sendo prejudicado de alguma maneira, tanto na qualidade como também na quantidade.
A maioria das causas de excesso de sono é o uso de algum tipo de medicamento, trabalho em excesso, entre outras. Cada pessoa tem uma necessidade especial e individual de horas de sono, mas a média para adultos é de no máximo de sete a oito horas, se mesmo dormindo o tempo suficiente de horas a sonolência persistir, pode ser que o seu sono esteja sendo interrompido e você não esteja conseguindo alcançar a fase do sono conhecida como reparadora, a qual é totalmente necessária para que o nosso organismo recupere a energia gasta durante as tarefas do dia-a-dia.
Na fase reparadora o sono é chamado de REM e é quando dormimos profundamente e é também quando várias reações bioquímicas se encarregam de restaurar as células que estão exaustas no nosso organismo, as quais trabalham sem parar durante muitas horas. Quando dormimos superficialmente, ou seja, quando não conseguimos alcançar esta fase do sono, acordamos indispostos e mal-humorados, além de ocorrer também um desgaste orgânico que acaba promovendo o envelhecimento precoce.
Para se ter uma boa noite de sono é necessário que a pessoa evite a ingestão de alimentos de difícil digestão durante a noite como, por exemplo, carnes e alimentos gordurosos, evitem também a ingestão de alimentos estimulantes como chá preto, café, refrigerantes e chocolate, adotem uma alimentação leve e evitem se deitar com preocupações na cabeça. É indicado também a prática de algum tipo de atividade física durante o dia, pelo menos seis horas antes de ir dormir, pois assim o seu corpo ficará mais relaxado e saudável, facilitando assim para que chegue à fase reparadora do sono. Lembre-se que noites bem dormidas são aliadas a saúde.
É importante ressaltar que o excesso de sono fora de hora pode estar relacionada com algum tipo de doença, pois a narcolepsia é um mal que tem como principal característica o déficit da orexina, a qual é uma substância que é responsável por manter o ser humano acordado e quem sofre deste problema tem excesso de sono durante o dia. Normalmente o portador da narcolepsia é visto como um preguiçoso, afinal muitos não sabem da existência desta doença e o melhor de tudo é que ela tem tratamento. No tratamento são usadas medicações estimulantes, recomendando-se também um planejamento do seu cotidiano.
SONO EM EXCESSO –Renata Pinheiro
Para quem sofre de insônia, pensar em conseguir dormir a qualquer hora do
dia, sempre que sentir sono, parece a maior maravilha do mundo. Mas para quem
sofre de sono excessivo, isso é um problema. Sono a qualquer
hora do dia, sensação de cansaço, falta de atenção, concentração e de
disposição são sintomas que acabam interferindo no trabalho, nos
relacionamentos e na vida diária de qualquer pessoa. Recebi uma mensagem,
através do formulário de contato, solicitando orientação a esse respeito. Vamos
então a algumas considerações.O excesso de sono é um problema complexo, pois pode ser causado por diversos fatores, frequentemente combinados entre si. Algumas dessas causas são:
- estresse (pode alterar a qualidade do sono durante a noite, levando à sonolência diurna)
- apnéia do sono (reduz o tempo de sono profundo por causa das paradas respiratórias)
- fadiga (o cansaço aumenta a necessidade de tempo para a recuperação do organismo)
- depressão (o sono pode ser usado como um escape de situações indesejáveis)
- horas de sono insuficientes (a necessidade de sono por noite varia com o passar dos anos; se você se sentia descansado com 6 horas, pode passar a precisar de 8 ou apenas 5 sejam suficientes, sem que exista qualquer doença)
- uso de medicamentos (remédios como os anti-alérgicos aumentam a sonolência)
- uso de álcool ou drogas (levam a alterações químicas que fazem com que o sistema nervoso procure “desligar”, através do sono, para protegê-lo
Sugiro também a consulta com um médico pneumologista, especialmente se falam que você ronca ou tem paradas respiratórias durante a noite. Nesse caso, é grande a possibilidade de você ter apnéia do sono, sendo então necessário realizar uma polissonografia, exame em que você dorme na clínica, com seus sinais sendo registrados. Dessa forma, é possível identificar a qualidade de seu sono.
Dormir pouco ativa genes que causam obesidade
Se você tem menos de sete horas de sono por dia, pode sentir as conseqüências no seu peso
por Redação Galileu
Um novo estudo da Universidade de Washington comprova que a obesidade,
muitas vezes, pode não ter nada a ver com a preguiça. Na verdade, dormir pouco
é que poderia causar o aumento de peso.
Segundo as descobertas científicas, se você dorme menos do que sete horas
por noite, seus traços genéticos são afetados e seu organismo fica mais
propenso ao aumento de peso. O metabolismo de açúcares, por exemplo, não é tão
rápido e você pode sentir mudanças na sensação de saciedade após as refeições. Para chegar a essas conclusões, os cientistas analisaram mais de mil pares de gêmeos, que tinham os mesmos traços genéticos, porém hábitos diferentes. Os resultados mostraram que os indivíduos que dormiam menos tinham duas vezes mais chances de serem mais pesados do que seus irmãos que passavam mais horas dormindo.
“O que percebemos foi que menos horas de sono permitem que aconteçam mudanças genéticas que, por sua vez, podem ocasionar a obesidade”, conta um dos cientistas responsáveis pela pesquisa, Nathaniel Watson. Em outras palavras: se você quer perder alguns quilinhos, além de fazer uma dieta balanceada e exercícios, deve passar mais tempo dormindo.
02/05/2012
Que sono é esse? Adolescentes sonolentos
demais tiram o sono de pais e professores
Tatiana Serra
Tem coisa mais
irritante do que tentar acordar um adolescente? “Só mais um pouquinho” é o que
ele suplica. E isso quando você dá a sorte de se fazer ouvir. E pedir que ele
durma cedo porque tem aula no dia seguinte? Enfim, nada parece ser uma boa
justificativa para dormir cedo e acordar com o despertador. O pior é quando ele
está de férias... Aí então a disciplina de horário praticamente inexiste.
Quando retorna às aulas, são os professores que dividem o teste de paciência
com os pais, já que os adolescentes tendem a se manter sonolentos e desatentos
durante todo o dia.
O sono desses
jovens preocupa pais e professores e é motivo de vários estudos. Porém quase
nunca essa sonolência é motivo para preocupações. A conclusão é que o excesso
de sono é normal entre os adolescentes e faz parte do seu desenvolvimento.
Aliás, quase todo excesso deveria ser explicável na adolescência; afinal, quem
já passou por essa fase da vida deve lembrar como tudo que se sente é “ao
extremo”! O problema é quando se começa a dormir menos que o necessário.
Dormindo mais tarde e acordando mais cedo
Ainda em 2005, a revista Veja
chamou a atenção para os adolescentes que estão dormindo mais tarde e acordando
mais cedo do que deveriam. O uso “ilimitado” do celular, da televisão, do
computador, o acesso à internet, o crescimento das redes sociais, a variedade
de jogos... Tudo isso desencadeou mudança no ritmo e nos hábitos da sociedade.
Muitas vezes, além de o adolescente ter seu próprio celular, a televisão e o
computador ficam localizados no seu quarto. Daí, é só dar “boa noite” aos pais,
fechar a porta e navegar pela internet, sem limites.
A maranhense
Rayane dos Santos, de 13 anos, cursa o 8º ano do Ensino Fundamental pela manhã
e confessa que tenta driblar os pais em alguns momentos. “Eu costumo dormir
mais ou menos às 9 horas da noite. Mas várias vezes eu dou boa noite para os
meus pais e volto para a sala para assistir à televisão ou mexer no celular.
Meus pais ficam reclamando, chamando minha atenção porque preciso dormir cedo,
descansar para amanhecer bem disposta. E sei que, quando eu vou dormir um pouco
mais tarde, no dia seguinte fico com sono o tempo inteiro”, diz ela. Mesmo
sabendo que o dia após uma noite mal ou pouco dormida parece ser o dia mais
longo da vida, muitos adolescentes insistem em prorrogar a ida para a cama.
O paulistano
Cauê Nomura, de 15 anos, também estudante do 8º ano, diz não fugir à regra de
dormir cedo durante a semana. “Quando estou em aula, tenho que dormir cedo, às
9h da noite, para acordar às 5h30 da manhã. Quando dá a hora, vou para o quarto
e durmo mesmo, não fico enrolando e me distraindo com outras coisas, como
televisão, computador, celular etc.”, afirma ele. Mesmo assim, Cauê também tem
muito sono durante o dia e, aliás, ele percebe que é a pessoa da casa que mais
tem sono.
SMS e ligações durante a noite perturbam o
sono dos adolescentes
O uso de
celular, videogame e internet à noite, perto da hora de dormir, pode causar alterações no sono dos adolescentes e levar a problemas
como ansiedade e depressão. Foi o que publicou a jornalista Elisa Araújo, em
seu blog Crianças e mídia, referindo-se a um estudo realizado nos
EUA pelo Sleep Disorders Center do JFK Medical Center em Edison, Nova Jersey. A
pesquisa, que analisou 40 adolescentes com distúrbios de sono, identificou que,
em média, eles enviam cerca de 30 SMS ou e-mails por noite. “E disseram que
fazem isso entre 10 minutos e 4 horas após seus pais terem mandado apagar as
luzes para dormir. O estudo descobriu ainda que SMS ou ligações acordam os teens
em média 1 vez a cada noite. De acordo com a pesquisa, metade dos pais não sabe
que os filhos estão usando os eletrônicos nesse horário”.
As mudanças no
cotidiano e a empolgação diante de tantas alternativas de distração vêm
causando a falta do sono ideal na adolescência, e essa é uma das etapas da vida
em que mais ocorrem distúrbios do sono. De acordo com a matéria da revista Veja,
“o ideal seria que os adolescentes dormissem, em média, nove horas por noite. A
maioria não dorme, no máximo, mais do que seis. A falta de sono pode levar a
complicações que vão do comprometimento do rendimento escolar ao
desenvolvimento de problemas de saúde.
A revolução
hormonal que detona a adolescência tem impacto na produção da melatonina, o
hormônio que regula a vontade de dormir. Secretado na ausência de luz solar,
ele aciona uma região específica do cérebro, o núcleo supraquiasmático,
responsável, entre outras funções, pela liberação de substâncias associadas ao
sono. Nos adolescentes, a produção diária de melatonina sofre atraso de até
quatro horas em relação à população em geral. Apesar de não se conhecerem as causas
desse atraso, sabe-se que ele nada tem a ver com a vida moderna. Desde 2003, a psicóloga Fernanda
Torres, da Universidade de São Paulo, acompanha os hábitos de sono dos
adolescentes de uma tribo indígena do litoral paulista. Mesmo lá, onde não há
nem luz elétrica, os jovens tendem a dormir uma hora mais tarde do que o resto
do grupo. E, consequentemente, a acordar também depois de todo mundo”. Mas há
fatores que podem amenizar o excesso de sono desses jovens. A matéria da Veja
traz um boxe com dicas do que é possível fazer para regular o sono dos adolescentes.
De acordo com
a Fundação Nacional do Sono, o ideal é que os adolescentes
estudem pela manhã e procurem ir para a cama mais cedo. “Quando isso não
acontece, o fato de o jovem ficar acordado até mais tarde, seja no computador
ou na televisão, quebra o ciclo natural do sono, criando uma série de situações
conflituosas em casa, na escola e com ele mesmo. Ele sempre necessita da ajuda
de um despertador ou de alguém da família para acordá-lo, está sempre atrasado
para os seus compromissos e tem dificuldade de se manter alerta durante as
aulas. Porque se priva do sono necessário, passa a sentir sonolência durante o
dia e não sentir ânimo para estudar ou praticar esportes”.
Veja a seguir
as possíveis consequências apontadas pela fundação devido à privação do sono
nessa fase:
- Limita a capacidade de aprender,
escutar, concentrar e resolver problemas, provocando baixo rendimento
escolar;
- Leva a comportamento agressivo e
à impaciência com os colegas, professores ou membros da família, gerando
situações de conflito e ansiedade;
- Provoca a ansiedade e faz
com que o jovem coma em demasia, levando a ganhos de peso;
- Causa sonolência diurna, com
cochilos, atrapalhando o adolescente na realização de suas tarefas
diárias.
Entre as
alternativas para manter os alunos acordados, uma escola britânica resolveu
iniciar as aulas uma hora mais tarde, às 10h, como parte de um experimento
científico, e já registrou queda significativa nos índices de ausência dos
alunos. Além disso, os cientistas que monitoraram o experimento dizem que os
alunos aprendem melhor à tarde. Para saber mais detalhes, veja a matéria Escola britânica muda horário das aulas e reduz faltas em 8%.
Após estudo, descanso merecido e necessário
E não basta
ter um sono tranquilo para ter concentração e disposição durante o dia. Na hora
do estudo, quando o aluno diz que está cansado, sem conseguir se concentrar,
logo vem uma desconfiança: tanto para pais quanto para professores, isso parece
ser mais uma desculpa para parar de estudar. E que o diga o estudante Cauê:
“quando digo que estou com sono, meus pais acham que é preguiça minha. E, em
época de prova, quando estudo mais, ou quando acabo indo dormir um pouco mais
tarde, fica muito difícil controlar o sono e tenho muita dificuldade de me
concentrar”.
Especialistas comprovam que o descanso é fundamental para o aluno que busca um estudo de qualidade. Em matéria publicada pelo jornal O Dia, a psicólogaGiana Falkemback afirma que o descanso entre os estudos é decisivo para a boa absorção dos conteúdos. "Isso é neurológico. É comprovado que um adulto não consegue ficar mais de 20 minutos concentrado. E se um adulto fica somente 20 minutos sem desvio de atenção, um jovem fica menos ainda", diz.
Especialistas comprovam que o descanso é fundamental para o aluno que busca um estudo de qualidade. Em matéria publicada pelo jornal O Dia, a psicólogaGiana Falkemback afirma que o descanso entre os estudos é decisivo para a boa absorção dos conteúdos. "Isso é neurológico. É comprovado que um adulto não consegue ficar mais de 20 minutos concentrado. E se um adulto fica somente 20 minutos sem desvio de atenção, um jovem fica menos ainda", diz.
Para a
psicóloga, que trabalha em dois cursos pré-vestibulares na cidade de Santa
Maria, no Rio Grande do Sul, e atende muitos alunos prestes a enlouquecer no
fim do ano, a cada 30 minutos de estudo, 10 minutos devem ser para arejar.
Giana ainda destaca que um período de aprendizagem sem tempo de descontração resulta em um estudo
de quantidade, e não de qualidade.
Para tentar
driblar o sono e a dificuldade de concentração, os próprios estudantes
encontram boas alternativas. A estudante Rayane, por exemplo, quando está em
período de provas, estuda assim que chega da escola, para que não precise
estudar até mais tarde. E fala mais: “costumo começar a estudar muito antes do
período de provas, porque aí, quando chegam as provas, eu já sei o conteúdo”,
completa ela.
Adolescentes com sono, adolescentes drogados?
Infelizmente,
há situações em que o sono desequilibrado pode desencadear outros problemas
mais sérios. Falando sobre comportamentos que são facilmente replicados por
outros indivíduos que compartilham círculos sociais, o portal O que eu tenho?, do UOL, divulgou
informações sobre uma pesquisa conjunta das Universidades da Califórnia, de San
Diego e de Harvard, nos EUA. Tal pesquisa descobriu que a duplicação de um
determinado hábito – como o sono desequilibrado – também influenciava
negativamente outros padrões, como o uso de drogas. O estudo se baseou em
informações vindas de mais de oito mil adolescentes entre o sétimo ano do
Ensino Fundamental e o último ano do Ensino Médio.
“Os dados
colhidos pelos pesquisadores levaram à descoberta de hábitos em grupo que,
coincidentemente, associavam padrões de sono desregulados ao consumo de
maconha. Esses grupos tinham, em média, até quatro ‘degraus de separação’, ou
seja, os amigos de amigos em até 4º grau costumavam compartilhar os mesmos
hábitos.
Outro
resultado observado pelo estudo foi que os indivíduos centrais desses grupos
eram os mais vulneráveis a ambos os hábitos (dormir pouco e consumir drogas).
E, ao contrário da ideia geral, de que o uso de drogas compromete os padrões de
sono, os pesquisadores observaram que, quanto pior o nível de sono dos
adolescentes observados, maiores os círculos sociais desses indivíduos e, por
alguma razão, maior o consumo de maconha”.
Pode parecer
exagero associar o desequilíbrio do sono ao uso de drogas, mas é sempre
interessante refletir e estar atento às influências que sofremos. Afinal,
“nossos comportamentos são conectados às pessoas com as quais convivemos, e é
preciso estar atento a como o comportamento alheio afeta nossas vidas em vários
aspectos”. Todavia, levando o desequilíbrio do sono ao extremo ou não, o que se
sabe ou o que a maioria deseja é que pequenas mudanças no cotidiano façam
diferença para que se tenha mais saúde física e mental.
Para levar
essa discussão e outros temas afins para a sala de aula, no link Hora de estudar, hora de dormir, a revista Nova
Escola sugere aos professores um plano de aula baseado em uma reportagem
da revista Veja
que aborda o gradativo desaparecimento do hábito da siesta na Espanha.
Como essa tradição tem raízes em fatores biológicos, a ideia é mostrar para os
alunos como os ritmos e hábitos podem ser determinados por grupos de hormônios
que funcionam como relógios biológicos, acertados por estímulos externos.
Publicado em
25/01/2011
Acessado em 02/05/2012
JORNAL HOJE
Edição do dia 20/12/2010
20/12/2010 15h30 - Atualizado em 20/12/2010 15h30 Acessado em 02/05/2012
Adolescentes devem manter o sono regular mesmo durante as férias
Os adolescentes adoram inverter as regras quando é tempo de férias. Ficam acordados até tarde e dormem na hora em que deveriam estar de pé. O que eles não sabem é que as alterações do sono têm consequências sérias para a saúde.
Acordar adolescente não é fácil. Em tempo de férias é impossível. Mesmo
quando dorme até tarde, Paulo tem problemas. “Não consigo muito me concentrar,
não”, conta Paulo Lucas, de 13 anos.
Falta de concentração, irritação, dificuldade cada vez maior para dormir nos
horários normais são alguns dos efeitos dessa troca de horários que os
adolescentes fazem. Os médicos dizem que essa inversão também desregula a produção
de alguns hormônios.O hormônio do crescimento e a melatonina são responsáveis pelo desenvolvimento físico e pela organização do sono. Os dois são produzidos no cérebro, em partes diferentes.
Eles só são liberados pelas glândulas a partir do início da madrugada. O pico é por volta de duas, três horas da manhã. Para isso é preciso que a pessoa esteja em sono profundo há pelo menos uma hora.
Se o adolescente está acordado nesse horário, os hormônios não são liberados. Sem a melatonina, o cérebro fica sem a chave que inicia e fecha o sistema do sono. Por isso, dormir de dia não é a mesma coisa que dormir à noite.
“Nós estamos simplesmente talvez descansando os músculos, mas a eficácia daquele sono em termos de recuperação mental, em termos de recuperação da nossa estrutura física e mental não vai ser a mesma coisa”, explica R. Nonato Rodrigues, neurologista.
O hábito de trocar o dia pela noite também pode agravar um outro problema que tem aumentado entre os adolescentes. “Um indivíduo que tem horários errados pra dormir, ele também vai ter horários errados para se alimentar. O metabolismo energético dele vai ser alterado, ele pode vir a desenvolver obesidade”, garante o médico.
O que os pais devem fazer? Negociar, diz a psicóloga. Deixar claro que os adolescentes também precisam se desligar do mundo virtual, da tecnologia, para crescer. “Aproveitar a luz do dia, que não apenas é saudável, mas também nos convida aos exercícios físicos e a uma série de outras atividades lúdicas e muito gostosas de realizar, enfim, argumentar”, diz Ângela Branco, psicóloga.
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